Após a operação militar dos EUA em 3 de janeiro de 2026, que resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro e sua transferência para julgamento nos Estados Unidos por acusações de narcoterrorismo, o governo interino liderado por Delcy Rodríguez (ex-vice de Maduro) tem buscado alinhamento rápido com Washington. Nesse contexto, o regime venezuelano concedeu acesso privilegiado e exclusivo a um canal de TV americano pró-Trump: a Newsmax, rede conservadora próxima ao bilionário Chris Ruddy, amigo pessoal de Donald Trump.

Detalhes da parceria: acesso exclusivo e narrativa de “libertador”
Em 9 e 10 de fevereiro de 2026, uma equipe da Newsmax foi a primeira mídia estrangeira autorizada a entrar em Caracas após meses de restrições. Diferente de veículos como CNN, BBC e Sky News — que aguardavam na fronteira desde janeiro —, os repórteres da Newsmax receberam credenciais especiais, entrevistas exclusivas com líderes do governo interino e liberdade para cobrir locais sensíveis.
O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, deu entrevista ao apresentador Rob Schmitt da Newsmax, declarando que Venezuela e EUA vivem uma “oportunidade de ouro” para uma relação “win-win” baseada em “respeito mútuo”. Ele confirmou contatos regulares com o Secretário de Estado Marco Rubio e antecipou visita do Secretário de Energia Chris Wright para discutir revival do setor petrolífero.
Chris Ruddy, dono da Newsmax, celebrou em Caracas: “Agora temos um grande libertador, Donald Trump”, referindo-se à derrubada de Maduro como “quase milagrosa”. A cobertura da rede retrata a intervenção como “libertação” e o governo interino como parceiro cooperativo, alinhando-se à retórica de Trump de que os EUA “estão administrando” o país até uma transição segura.
Por que essa parceria gera debate internacional?
A decisão de priorizar um canal abertamente pró-Trump é vista como “casamento de conveniência” (marriage of convenience) por analistas internacionais. Críticos apontam:
- Propaganda seletiva: Ao conceder acesso exclusivo à Newsmax, o governo interino busca moldar a narrativa global a favor de Washington, marginalizando mídias independentes ou críticas.
- Influência midiática: A Newsmax, conhecida por apoio ferrenho a Trump, pode amplificar mensagens de “cooperação” enquanto omite tensões, como a não-reconhecimento oficial do governo Rodríguez pelos EUA (que ainda consideram a Assembleia de 2015 legítima em alguns contextos).
- Geopolítica do petróleo: Com vendas de até 50 milhões de barris de petróleo controladas pelos EUA e planos de atrair US$ 100 bilhões em investimentos, a parceria midiática reforça alinhamento energético e político.
- Reações globais: China e Rússia condenaram a intervenção como violação de soberania; na América Latina, há divisões — líderes como Javier Milei (Argentina) celebram, enquanto outros veem risco de “imperialismo”. A União Europeia e ONGs questionam se a liberdade de imprensa real está avançando ou se trata de controle narrativo.
O Secretário de Energia Chris Wright, em visita recente a Caracas (11 de fevereiro), reforçou que os EUA visam “libertar” a economia venezuelana, com foco em aumento drástico de produção de óleo, gás e eletricidade — ecoado pela Newsmax como “sucesso trumpista”.
Impacto no debate sobre soberania e transição
Essa aliança midiática simboliza a rápida realinhamento de Caracas com os interesses americanos pós-Maduro. Enquanto o governo interino avança com lei de anistia para presos políticos (aprovada em primeiro turno em 5 de fevereiro) e libera opositores, críticos alertam para risco de dependência excessiva dos EUA.
O debate internacional se intensifica: é pragmatismo para estabilizar o país ou submissão disfarçada? A parceria com canal pró-Trump reforça a percepção de que, em 2026, a influência de Washington no hemisfério ocidental ganha nova dimensão — via diplomacia, energia e, agora, mídia.
E você, vê essa aproximação como oportunidade de reconstrução ou ameaça à soberania venezuelana? Deixe sua opinião nos comentários!